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sexta-feira, 17 de junho de 2011

No UFPASustentável



No interessante espaço UFPASustentável está disponibilizado um nosso artigo - "Ética Planetária para uma Era Planetária: Criatividade e Mutação Cultural".

Por aqui ficam os nossos agradecimentos, por esta partilha!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ética Planetária para uma Era Planetária: Criatividade e Mutação Cultural


“Pela primeira vez, na história humana, o universal tornou-se uma realidade concreta”, afirma Edgar Morin.

Esta é uma realidade que se sente no nosso dia-a-dia, nas comunicações via Internet, com as redes sociais, nos impactes e abrangência de questões ambientais e sociais sentidos (e pressentidos), nas notícias partilhadas, nas reacções organizadas.

É também o que defendem cientistas como Prigogine, que afirma em “A Nova Aliança”: “No momento em que, sem dúvida, pela primeira vez na nossa história, esta comunidade se refere explicitamente à Terra inteira, no momento em que, como se sabe, as nossas sociedades desestabilizadas se aproximam de um ponto de bifurcação, é bom que as ciências da natureza contribuam para lembrar esta verdade: contrariamente às sociedades animais, as sociedades humanas podem assumir as suas finalidades. O futuro não é dado”.

Nesta Era Planetária, em que orientação nos encontramos, do ponto de bifurcação que se desenha?

Cenários de um desafio radical

“Estamos mais perto do colapso do que do desenvolvimento sustentável. Se o curso do mundo continuar como se encontra actualmente, com o império do curto prazo a dominar as decisões individuais e colectivas, então será o naufrago da história e não a sua continuidade, com novo vigor, aquilo que o futuro nos reservará, com um elevado grau de certeza”, sintetizou o ecologista Viriato Soromenho-Marques no seu “Metamorfoses”.

É deste modo que a globalização actual nos remete para o desafio mais radical lançado à condição humana. Ante a perspectiva do colapso global, em que emerge uma crise radical e global da nossa identidade e da nossa capacidade de continuarmos a habitar a Terra, estamos obrigados a pensar e criar futuros, a assumir a nossa comunidade de destino, a repensar os princípios e os valores fundamentais que como civilização nos norteiam.

A actual crise planetária coloca-nos, assim, face a amplas e exigentes possibilidades de transformação.

Desenham-se dois cenários, conforme defende (também) Ervin Laszlo: um de viragem e outro de tragédia. Tragédia seria insistir na trajectória da mundialização económica, mais ou menos aperfeiçoada, da sociedade da ordem estabelecida. O capitalismo, geralmente, procura superar as situações caóticas mediante a intensificação da exploração, com a violência e pelo recurso à guerra. Outro cenário seria o da mutação através das viragens viáveis. Para a imperativa viragem global requere-se o desenvolvimento de “um novo modo de pensar, com novos valores e um novo estado de consciência”, defendeu Ervin Laszlo no seu “Virage Global”. A actual crise constitui, desde já, uma especial e grandiosa oportunidade para a invenção de um novo paradigma e de uma nova racionalidade para governo dos próximos progressos da Humanidade.

Fazem-se sentir, mais do que regulações novas, imprescindíveis e urgentes alternativas.

Ética Planetária

A transformação do mundo poderá encaminhar-se para a configuração de uma nova civilização nascida de uma racionalidade alternativa à moderna racionalidade de cariz mecanicista, de submissão da natureza e da natureza do homem, reorientadora para uma humanidade e para um planeta viáveis. A emergência dessa racionalidade, divergente da lógica ainda predominante, implica uma ruptura com o sistema actual de valores, com a visão do mundo e com os estilos de vida que lhe estão associados.

As transformações dos valores e do estado de consciência associam-se a uma muito maior e mais profunda percepção da responsabilidade face a todos os domínios da existência. O que (também) significa a adopção de uma Ética Planetária, de uma Ética da Responsabilidade por toda a biosfera, apta a nos inspirar uma praxis com incumbências na esfera pessoal, profissional e política na nossa existência. Implica novos registos comportamentais, uma mutação cultural, com transformação dos valores e das atitudes, das aspirações e dos costumes partilhados.

A Ética Planetária assim considerada, para uma época como a nossa, não pode ser confundida com a imposição de um determinado sistema ético, referente a uma doutrina do comportamento moral. Trata-se, mais precisamente, da necessidade de um “ethos”, não de uma doutrina ou de um sistema, mas muito mais de uma atitude básica e fundamental de um ser humano que influencia todo o agir.

Importa projectarmos um “ethos” que seja, realmente, expressão da globalização e da planetização da experiência humana, assentando sobre uma nova sensibilidade, o “pathos”, estruturador de uma nova plataforma civilizatória”, conforme defende Leonardo Boff no seu “Ethos Mundial”.

O modo como esse “ethos” básico deverá concretizar-se dependerá da diversidade e da pluralidade das culturas, dependerá dos diferentes projectos assumidos por cada povo. A partir do “ethos” da responsabilidade, a partir dessa Ética Planetária, com a marca das diferentes tradições humanas é que se poderão contextualizar as diferentes morais concretas.

Diversidade, criatividade e mutações

A diversidade de culturas, na sua interacção permitida por esta Era Planetária, parece-nos assim, a base necessária a novas formas de racionalidade, na sua emergente complexidade, da comunidade Terra.

Se pensarmos, como Edgar Morin, que “a cultura é, no seu princípio, a fonte geradora/regeneradora da complexidade das sociedades humanas”.

E que, como defende Ervin Laszlo, neste actual ponto de bifurcação são possíveis novas emergências. Abrangendo, estas, maiores níveis de organização e complexidade estrutural, outro grau de entropia específica, uso mais efectivo de informação e maior eficiência energética, maior dinamismo e autonomia, flexibilidade e criatividade.

Podemos avançar que, uma sociedade global, em que a diversidade cultural se cruza em interacção, é efectivamente possível um salto ao nível da complexidade e de organização.

Se pensarmos, ainda, na perspectiva sistémica oferecida por Niklas Luhmann, que teorizou a sociedade como um sistema autopoiético, ou seja auto-criador, de comunicação, confirmam-se estas perspectivas. Para este autor, a evolução da sociedade surge pela forma como a comunicação permite a evolução da quantidade e selecção de informação no interior do sistema social, a partir do exterior que o rodeia. Não nos podemos impedir, assim, de avançar que, com as novas formas de comunicação possível, pelas actuais tecnologias e partilha das diversidades culturais, se potenciam novas emergências, ao nível do sistema social, na sua complexidade.

E o que pode alimentar, de forma mais evidente, essa comunicação e diversidade, necessária à mutação cultural, à emergência de um novo paradigma racional, um novo pensar da natureza e da natureza humana, das suas interrelações, de um agir ético nesta Era Planetária, não será, desde logo, a criatividade dos indivíduos e grupos? Não será uma criatividade a potenciar pelas sociedades que as nossas formas de pensar e agir criam e recriam?

Sofia Vilarigues e Edgar Silva – Autores de “Pontes de Mudança: Sociedades Sustentáveis e Solidárias”

Aqui fica também no nosso blogue o artigo publicado na Revista Sina
(na secção de OPInião), o primeiro de um intercâmbio em desenvolvimento, das Cirandas em que nos encontramos.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Parceria Portugal/Brasil-Pantos/Sina


Iniciamos hoje a parceria entre a projecto PANTOS e a Revista Sina, publicação mato-grossense em defesa do meio ambiente e das lutas populares!

O primeiro artigo "Ética Planetária para uma Era Planetária: Criatividade e Mutação Cultural" (disponível na secção de OPInião) faz parte do intercâmbio entre as duas iniciativas para troca de informações em busca de um mundo melhor e de melhores interligações ser humano - Natureza.

É a primeira de diversas partilhas, que surgiu naturalmente do cruzar de vários encontros e em articulação com o GPEA - Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte.

sexta-feira, 18 de março de 2011

O Artigo de Apresentação


Um novo projecto Quercus

PANTOS é um projecto de Percursos em Artes e em Novas Tendências por Objectivos de Sustentabilidade (http://pantos-quercus.blogspot.com/).

O PANTOS (do grego Pantós, que significa tudo, o universo, o mundo, todo, inteiro, completo) insere-se (desde 2010) nas iniciativas da Quercus A.N.C.N.. Procura pensar e criar relações entre sustentabilidade, arte e cultura, através de quatro vertentes de acção (um centro de informação e consultoria; iniciativas de educação ambiental; dinâmicas de transformação pela arte e projectos piloto) e de três áreas temáticas (novas culturas e processos culturais; transformação pela arte e arte da transformação; valorização do património natural e cultural) que se entrecruzam e estabelecem percursos comuns.

A ideia

O PANTOS partiu de ideias-semente como a do projecto do WWI – Worldwatch Institute, Transforming Cultures – From Consumerism To Sustainability. Desenvolveu-se, desde o início, com os exemplos e inspirações de Julia Butterfly Hill, Mila Petrillo, David Abram, Miyazaki, Sebastião Salgado, Fritjof Capra. E mais autores, grupos, iniciativas, continuam a juntar-se a esta lista, contribuindo para ideias e potenciando sinergias.

O PANTOS pretende ligar vários projectos, em rede, na resposta à questão: como se dissemina uma nova cultura? Mais exactamente: como se disseminam novas culturas de sustentabilidade?
Na perspectiva de que a cultura – as culturas em que nos inserimos, as que constituem referências – enforma, enquanto sistema a que pertencemos, o modo de olhar e de estar na e com a Natureza e a sociedade.
Encontramo-nos num ponto de bifurcação da evolução social e humana em que a sustentabilidade se afirma essencial, numa perspectiva holística e integrada.

Para caminharmos no seu sentido, propomos:

Explorar formas de sensibilização, interiorização, agitação geradora de autonomias e criação de novos estilos de vida: como a arte e a educação.

Desenvolver meios que fomentem novas práticas: proporcionando informação, meios de análise e linhas de actuação a decisores e organizações, empresas e instituições; promovendo dinâmicas de cidadania e participação, criação de alternativas locais, redes.

No PANTOS queremos pensar a sociedade como sistema cultural e investir no estudo e criação de interacções conducentes a culturas de sustentabilidade.

Acreditamos que estas culturas deverão passar pelo desenvolvimento pleno das capacidades humanas e pela reformulação e recriação das organizações, na perspectiva de que é essencial potenciar iniciativas conscientes a vários níveis, em micro e em macro transformações. Cabem aqui culturas de valorização de expressões de arte; de valorização do indivíduo e da diversidade; de valorização da Natureza; de valorização de laços positivos de sinergias, com a criação de obras, projectos e produtos, iniciativas em que organizações, empresas, Estado e actores vários gostarão de investir para se valorizarem, inovarem e recriarem.

Quatro vertentes de acção

Com o PANTOS pretende-se desenvolver iniciativas inseridas no âmbito das 4 vertentes de acção: Centro de Informação e Consultoria (CIC); Transformação pela Arte; Educação Ambiental e Projectos Piloto.

Estas incluirão a criação de produtos e obras próprios, como livros, publicações, desenhos animados, objectos de arte, etc. Abrangerão projectos e eventos, actividades como oficinas e percursos ambientais.

Integrando algumas iniciativas destas vertentes de acção e funcionando como agregador, pretende-se realizar campanhas de sensibilização-participação anuais (ou por um período de dois anos) que contemplem concursos, entre outras actividades, e um evento maior, que associe diversas formas de arte e formatos, promova a realização de debates e interacções desencadeadoras de novos movimentos e iniciativas, encontros. Este ano o tema será “ Culturas Locais e Culturas Globais: Olhares da Árvore e da Floresta”.

O Centro de Informação e Consultoria funcionará também como agregador e dinamizador. Iremos criar uma plataforma que ligue os vários interessados em rede.

Igualmente no quadro do CIC está a dar os seus primeiros passos um livro-projecto-de-investigação sobre “Mudar Culturas – Mudar Realidades”. Perspectiva-se também a realização de publicações periódicas em diversos formatos: científico, jornalístico e infanto-juvenil.

Com o CIC visa-se repensar a sustentabilidade como uma cultura, com diferentes expressões – pelo que se poderá falar de culturas -, numa diversidade que se visa promover. Este objectivo envolve a pesquisa sobre o modo como vários sectores da sociedade, indivíduos e grupos de indivíduos, ligados a várias culturas, vêm a natureza e a sustentabilidade.

Pretende-se, seguidamente e em paralelo, através das 4 vertentes de acção, explorar a arte como potenciadora de emancipações e transformações, individuais e sociais, ao alimentar e desenvolver imaginários que recriam mundos. Queremos investigar, dar a conhecer, recriar, inovando, dinâmicas (estas e outras) de valorização do património natural e cultural.

Três áreas temáticas

As pesquisas e iniciativas do PANTOS são, assim, pensadas e desenvolvidas de acordo com três áreas temáticas: Novas Culturas & Processos Culturais; Transformação pela Arte e Arte da Transformação; Valorização do Património Natural & Cultural.

Na área das Novas Culturas & Processos Culturais, queremos investigar hábitos culturais, lançar iniciativas promotoras de uma cultura de paz, de culturas da empatia e da cultura digital. Realizar projectos inseridos em movimentos de sustentabilidade ligados à agricultura biológica, à permacultura ou à agricultura biodinâmica, ao desenvolvimento local, ao design ecológico (de moldagem de fluxos) e à economia solidária. Repensar as potencialidades da Carta da Terra, na perspectiva da ética e da participação cidadã.

Na esfera da Transformação pela Arte e Arte da Transformação, pretendemos dar forma a projectos como o das Periferias nos Centros (com grupos das chamadas periferias sociais, dos ‘instrangeiros’ de cada sociedade). Gerar projectos e reflexões no domínio da Arte, Caminhos Interiores e Sustentabilidades, contemplando o processo criativo e a transformação pessoal e cultural, associadas a iniciativas de Contos e Narrativas, Histórias Animadas, Bonecos Naturais, Fotografia e Olhares.

Queremos contribuir para a Valorização do Património Natural e Cultural, associando-nos em parcerias com grupos, associações e entidades de países como o Brasil, para o desenvolvimento de iniciativas no quadro do Património Mundial, perspectivando-se uma intervenção própria em regiões como Arrábida, bacia do Tejo, Sintra, com projectos inovadores focados na interligação estreita entre Natureza e Cultura.

Sofia Vilarigues (coordenadora do projecto), Carla Graça, Cristina Baptista, Edgar Silva

Bruxinha (foto e criação): Cristina Baptista

quinta-feira, 17 de março de 2011

PANTOS no Quercus Ambiente


Neste nº 45 do jornal Quercus Ambiente surge já um artigo sobre o PANTOS. Outros se prometem! Há, também, uma apresentação do "Pontes de Mudança: Sociedades Sustentáveis e Solidárias" (escrito por dois de nós). Para lerem, basta um clique em cada imagem (ou no link).